Nosso jogo

Postado por | Conto, Música | Em 13-12-2009

Na noite, uma simples memória do que é sono e a música alta que dá ânimo para continuar mais um texto, mais um relato sobre o que é o desespero e suas vertentes como a raiva ou o peito acelerado quando se pensa em estar longe de quem se ama(…):

“Dá mais cartas, baixa a luz e vem esquecer o amor”

Não importa se você já não escuta mais a minha voz. Gosto de saber que faço parte da tua vida, mesmo que distante, mesmo que você se sinta sozinho demais sem um contato meu. Finjo que não vou me importar mais: digo-lhe que a chuva continuará a cair, o sol continuará a nos queimar e continuaremos a remar nossas vidas nesse lago turvo. Para você, morri. Para mim, você vive no meu desgosto que gosto tanto, mesmo que eu demonstre apenas a insatisfação, a incapacidade de não conseguir te amar, de não conseguir te seguir por águas tão iguais e imensuráveis. Vá me perder, vá me largar aos poucos…

Texto – Pablo Emílio de Mattos

Incentivo – Tiago Bettencourt & Mantha – O Jogo

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99%

Postado por | Fragmentos | Em 11-12-2009

Engraçado é tomar cada parágrafo, como se tudo fosse profissional, como se tudo fosse importante o suficiente para não ser 99% meu. Agora eu me pergunto quem é o errado? Eu ou o mundo? Eu ou a vontade de ser menos pessoal e mais apresentável para que você entenda como se eu não devesse um “pingo de i” para você?

É o que eu faço, escrevo 99% de mim, o resto, pode ser você, pode ser o mundo, pode ser ficção…

Prefiro continuar nas sombras, na subjetividade, nas reviravoltas que a vida causa; viva bem, mas viva o resto (também).

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Uma sexta sem cigarros

Postado por | Conto | Em 07-07-2009

Lá vai o transeunte a guiar-se pelos seus molhados passos bêbados. Nada o acalma mais do que a o asfalto que se move por debaixo de seus sapatos engraxados. Louco e triste, pensa apenas se conseguirá chegar bem ao seu lar, destino final, no qual poderá relaxar, fumar seu cigarro sem pensar mais nela como uma pessoa que vai deixar saudades. Em um campo de futebol, em margem a uma pequena pista, o lento e agonizador bêbado já não consegue mais avistar todos os obstáculos a sua frente, tropeçando e indo de cara a grama molhada. Sentindo o cheiro forte da grama amassada e molhada, ele fecha os olhos lentamente por instantes, em frações de segundo (para um sóbrio, 3 minutos) lembra de todas as tardes sentado ali, com a sua última amante, aquela em que permaneceria fielmente apaixonado, querendo suas mãos quentes por perto e, ao acordar e voltar a alcóolica realidade, levanta-se cambaleando e ainda sentindo aquele cheiro de passado feliz, que infelizmente não se repetirá.
Ao chegar em seu lar, admira como as chaves cresceram e não encontram o buraco no tambor da fechadura. Fazendo muito barulho e pouco se importando com isso, já que agora voltara a sua origem extremamente só, o pensar coletivo realmente não importava. Ao finalmente encaixar, sorri e gira a chave com uma força descomunal, como se descontasse a raiva de não ter feito o que era certo, por não ter sangrado o suficiente para ser feliz e, principalmente, por escolher a extrema delicadez, sofrerá com a mais penosa solidão.

Ao entrar, fita o sofá com um desejo importuno de poder ter algo confortável que o segurasse, e pouco se importando com os recaltados sapatos novos, retira-os apoiando o calcanhar no pé, facilitando para poder retirar os sapatos sem nem desamarrar os cadarços. Nada valia mais do que poder descansar os pés que pareciam inchados demais para aquela forma. Com as pernas bambas por necessitar de um apoio no qual ele sabe que não existe, o caminho de cruzar a sala para chegar ao sofá torna-se um final de maratona, com sol a pino, asfalto quente e sem pessoas simpáticas e esforçadas para entregar copos d´água no meio do caminho.
Rompe-se a fita branca e o “quase ninguém” deita com a cabeça em um dos braços do sofá, acendendo o abajur posto em uma mesa ao lado.
Conforme suas retinas se ajustam lentamente para enxergar meio ao único foco de luz, o ninguém percebe a falta de sua carteira de cigarro, e lembra-se que antes de sair tinha botado na bolsa de sua amante. Levando as duas mãos ao rosto já cansado, aperta forte para sentir se tudo aquilo que está a passar é realmente verdade, afinal, o que será de um pobre apaixonado, que está solteiro e sem cigarros numa sexta-feira a noite?

Apenas o resto da vida.

(Pablo Emílio de Mattos)

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Novo.

Postado por | Aviso, Poesia | Em 16-05-2009

Essas ondas de renovações me atingiram e a vítima foi esse fraco blog. Como podem ver, a tendência aqui agora é menos fru-fru e mais texto. Novidade mesmo é o sistema de comentários, que tá mais interativo e o sistema de busca que eu deixei de boicotar dessa vez. Resolvi deixar tudo aqui, mas agora quem busca são vocês, usuários. Nada de sugestões de posts, nada de categorias, tags rodando, nada… O lance aqui é literatura.

Pra combater a falta de fru-frus, tem muito conteúdo legal chegando, preparem as idéias.

Abraços

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o beijo

Postado por | Comunicação | Em 03-05-2009

O beijo é uma conversa, se você não sabe falar (nem mesmo sozinho), desculpa amigo… você não sabe beijar!

Beijar bem não é apenas uma questão de ter uma boca quente, macia, carnuda ou fina, é necessário se expressar, é necessário saber construir o beijo assim como é construído um texto: com ritmo, com boas ações, com o timing da situação que não vem de você, virá sempre (repito: SEMPRE) do parceiro(a).
Quando eu falar que é uma conversa, esqueça os debates, lembre-se da arte da dialética mas não leve ao pé da letra, por favor. Lembre-se dos sussuros mais doces, das vozes que vieram até perto dos seus tímpanos e tornaram sílabas em seda, acentos em devaneios que arrepiam, elevam a alma e o bem querer torna-se querer muito e bem. E nessa dialética dos sussuros, o barulho externo já pouco importa, um escuta o outro por dentro, sentindo o calor dos lábios, a emoção posta através do movimento das línguas é sábio, é honesto e consegue trazer toda emoção e sentimentos para aquele beijo, deixando passar desapercebido os carros ao redor, os aviões que sobrevoam destino ao aeroporto mais próximo. As luzes tornam-se desnecessárias, o beijo comove e cria um holofote por dentro de nós, iluminando apenas o que existe de bom para o momento. Não basta saber andar, falar ou ser romântico, amigo. É preciso saber beijar e entender que a síntese mais perfeita do amor é o beijo.

(Pablo Emílio de Mattos)

Inspirado no melhor beijo do mundo. O da minha Luna, é claro.

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Contratempos

Postado por | Conto | Em 17-04-2009

Na seguida e decadente descida do mundo, sigo minha vida, passo após passo, pensando não apenas em não pisar nos próprios cadarços, mas também seguir sem pisar em cadarços ou correntes alheias. Tudo tem sido assim, contratempos de decisões, contra tempos em que era costumeiro demais falhar e ver o chão de perto.

(Pablo Emílio de Mattos)

adoro fragmentos… e vocês?

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Sem Título, Com Romance

Postado por | Fragmentos | Em 16-04-2009

Engraçado sonhar com vc, curioso estar em uma praia deserta e ver que você está deitada sobre meu peito, contando o quanto ele não sabe bater certo e o quanto você adora aquilo tudo; o cenário, a água gelada que em restos de ondas, marolas, resfriam os nossos pés que a cada banho afundam pouco mais. Mas nosso estado reverte toda a situação, estamos bem, nos beijando em intervalos de 2 minutos, sentindo os lábios quentes, as mãos acariciando as almas (que antes pareciam não existir) que coexistem para sentir, gostar e, quem sabe, amar.
Não entendo porque cantamos hometown glory, talvez porque seja linda, porque seja cantada de forma tão verdadeira e emocionante… e naquele momento tua voz estava linda, completa, cada tom me arrepiava, a Adele sumia da imaginação, a música sumia, o que reverberava em mim era você, sua eterna presença em mim, seu jeito gostoso de me beijar, seu olhar…
Agora não quero nada além de você me beijando… hometown glory, praia deserta, peito acelerado são do mundo, você é o sonho que, por tudo, quero (continuar a) realizar.

M.

(Pablo Emílio de Mattos)

Fragmento.

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(des)conversa de um amor que salva e dói

Postado por | Conversas | Em 09-04-2009

sobre o que era a sua carta?

ah, eu falava de que até meus compositores preferidos, de cartola à tom jobim falavam do amor
mas do amor que dói,
desse que rasga a gente por dentro!
já reparou que as músicas mais bonitas não falam do amor sereno,
do amor tranquilo?

amor é sempre assim, o resto é ilusão

que traz paz?
não sei se é sempre assim
tem quem ame em paz

ninguém está em paz sempre

mas o que inspira as músicas mais bonitas que já ouvi… essas são movidas pelo amor que dói

e o melhor do amor, é esse lance
essa dor

a gente, às vezes, tem algo que traz paz, né?!

essa angústia, esse alívio após uma tristeza qualquer
é isso que faz viver

mas ser humano é bicho estranho
vai atrás do vendaval

somos um lixo, por isso é sempre assim
se fossemos deuses, era só amor de paz
só flores de plástico

é…
eu falava mais ou menos disso,
mas parei e rasguei a carta.

(eu e mais alguém)

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Round My Hometown

Postado por | Conto | Em 01-03-2009

Primeira nota:

Um corpo, uma só fonte de calor e a certeza do destino. Nada se contrai mais em palavras e expressões internas do que ele a cruzar (subterrâneamente) a avenida que liga duas asas, sem destino, viradas para um rumo sem sentido de se ter como rumo. Os pés pretos caminham em passos curtos e rápidos em busca do destino seguro, e em seu caminho, reconhecem vários andares, vários modos de se chegar a um ponto crucial, de se deixar levar a carteira e o que tem para manter um hálito saudável. Altoids no bolso, Tottenham no ouvido e a breve sensação de ser maior do que deveria.

A desenvoltura do desenvolvimento:

As preocupações na cabeça, a chatisse absurda de querer gritar, de querer brigar, de querer ser o refúgio único para um só alguém. O olhar aponta para os homens que lavam a escada às 22:47 sem pretensões instantâneas. Era apenas aquilo, lavar as escadas do metrô enquanto eu passo em conflito interno, com as mãos tremendo esperando pelo calor habitual do lar que não quero ficar até o meu momento derradeiro.
Eles lavam as escadas cantando sobre a Lapa e eu as subo gritando pra dentro como Tottenham é bonita e como eu queria explodir sem ninguém notar; explodir e me posicionar em cada constelação, em cada estrela, para que os  romancistas conflituosos, como eu, possam olhar e sentir-se um pouco mais aliviados. E nisso tudo, eles lavam as escadas…

O último acorde:

Em destino final, acrescento-me a idéia de que posso ser sim maior, mesmo com minhas angústias e meus pesares extremamente pesados (desculpe). Agora só resta saber se toda guerra que explode em mim resulta em romances divididos por três partes ridículas, ou se enquanto eu explodo em amor, ciúme, raiva, tristeza, alegria e satisfação, aqueles malditos continuam a lavar as escadas.

deus, seja mais humano e menos medíocre retirando os degraus, ou fazendo com que eu assuma a posição de lavar os degraus às 10 da noite.

(Pablo Emílio de Mattos) assumindo o cargo de maldito

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FOME

Postado por | Conto | Em 09-02-2009

Sinto falta daqueles versos bobos e infantis que escrevia. Todos buscando uma rima fácil, um acorde punk e um teor de amor inestimável. Sinto falta da poesia que me assustava, os versos fortes, gritados como em um hardcore que me faziam sentir raiva de quem os escreveu. Sinto falta daquelas poucas palavras que me acalmavam, dos bancos, dos gramados, de toda a síntese guardada em uma amizade fugaz, ou em um amor tenaz que percorria minha corrente sangüínea a procura de consagração pessoal e sexual.
Talvez a falta que bate em mim, não seja tão grande para ser chamada de nostalgia, talvez o sono que eu perco pensando nos tempos que passaram, não é nada mais que uma tentativa de poder lembrar mais do próprio passado, apagado em versos, apagado nas palavras e, simbólicamente, apagado na vida. Talvez a minha fome não seja pelos pratos que comi, seu conteúdo, seu peso, mas sim pelas sensações que ele me causou como seu cheiro, sua temperatura, seu gosto descendo amargo por dentro de mim.
A fome não é por passado, é por reconhecimento e (cada vez mais) admiração.

Pablo Emílio de Mattos

- faminto por realização.

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