Round My Hometown
Postado por | Conto | Em 01-03-2009
Primeira nota:
Um corpo, uma só fonte de calor e a certeza do destino. Nada se contrai mais em palavras e expressões internas do que ele a cruzar (subterrâneamente) a avenida que liga duas asas, sem destino, viradas para um rumo sem sentido de se ter como rumo. Os pés pretos caminham em passos curtos e rápidos em busca do destino seguro, e em seu caminho, reconhecem vários andares, vários modos de se chegar a um ponto crucial, de se deixar levar a carteira e o que tem para manter um hálito saudável. Altoids no bolso, Tottenham no ouvido e a breve sensação de ser maior do que deveria.
A desenvoltura do desenvolvimento:
As preocupações na cabeça, a chatisse absurda de querer gritar, de querer brigar, de querer ser o refúgio único para um só alguém. O olhar aponta para os homens que lavam a escada às 22:47 sem pretensões instantâneas. Era apenas aquilo, lavar as escadas do metrô enquanto eu passo em conflito interno, com as mãos tremendo esperando pelo calor habitual do lar que não quero ficar até o meu momento derradeiro.
Eles lavam as escadas cantando sobre a Lapa e eu as subo gritando pra dentro como Tottenham é bonita e como eu queria explodir sem ninguém notar; explodir e me posicionar em cada constelação, em cada estrela, para que os romancistas conflituosos, como eu, possam olhar e sentir-se um pouco mais aliviados. E nisso tudo, eles lavam as escadas…
O último acorde:
Em destino final, acrescento-me a idéia de que posso ser sim maior, mesmo com minhas angústias e meus pesares extremamente pesados (desculpe). Agora só resta saber se toda guerra que explode em mim resulta em romances divididos por três partes ridículas, ou se enquanto eu explodo em amor, ciúme, raiva, tristeza, alegria e satisfação, aqueles malditos continuam a lavar as escadas.
deus, seja mais humano e menos medíocre retirando os degraus, ou fazendo com que eu assuma a posição de lavar os degraus às 10 da noite.
(Pablo Emílio de Mattos) assumindo o cargo de maldito
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Viva a literatura na internet.

Pois viva como quem lava as escadas. Procure o seu então pano de chão e jogue fora as preocupações que se juntam a água e sabão. Ou deixe que elas fiquem presas ao chão encardido, que força alguma possa tirar. E por que não? Manchas também tem histórias para contar.
Quando você conseguir explodir sem ninguém notar você me ensina? Queria sumir por uns tempos, assim como os degraus.
” é bonita e como eu queria explodir sem ninguém notar; explodir e me posicionar em cada constelação, em cada estrela, para que os romancistas conflituosos, como eu, possam olhar e sentir-se um pouco mais aliviados. E nisso tudo, eles lavam as escadas… ”
o grito interno, é mais importante que lavar as escadas..
as escadas sempre ficarao lá.. naquela mesmisse sem fim .
E o seu grito passa, e você depois aprende com isso .
As escadas não, a água nao muda, o sabao nao muda, fica tudo ali…
- seu texta está lindíssimo.. espero que você já esteje bem .
beijos
como disse, grito é catarse, talvez como o texto, talvez como a sujeira que solta dos degraus…
Tudo está bem. Obrigado