Posted by Pablo Emílio | Posted in Conto, Devaneios | Posted on 23-07-2008
Poucas forças no mundo fazem alguém reagir. Uma delas é a saudade. Estranha, meio triste e satisfatória ao sentir. Significado e significante, para quem sabe observar.
Sofro eternamente de saudade. Dos bons tempos que (nunca) tive, das (boas) risadas que dei, dos ótimos abraços (que recebi e dos finais saciadores) que tive a sorte de escrever. A saudade hoje me leva a caminhos impensáveis, seja em uma UTI, posta em uma cama pouco aconchegante, ou em um aeroporto em que todos os aviões não embarcam e decolam por mim. A saudade anulou as minhas pernas e objetivou a minha vontade de permanecer aqui, em sombra, pisando em tacos de madeira que tendem a congelar os meus pés brancos. Mas a saudade também me orgulha, me humaniza a cada dia, a cada lágrima de alegria ou tristeza, a saudade faz o corpo levantar e caminhar mesmo que a mente tenha medo de abrir portas e encarar as intermináveis ruas.
Saudade, cruze teus braços, firme as tuas pernas porque as minhas estão em ação, meus olhos não vão se fechar enquanto você não demonstrar todo seu sorriso, toda a sua cura. Não cravo palavras em teu peito, não busco o seu espaço, apenas espero compreensão e saudosismo de quem fica. Saudade, estou aqui.
(Pablo Emílio) de Mattos
Permitido publicar qualquer texto desse site em mídia impressa ou online, desde que seja citado a fonte e o autor.
Viva a literatura na internet.
Posted by Pablo Emílio | Posted in Devaneios | Posted on 22-07-2008
nenhum sentimento é ruim, nenhum coração é cruel,
chegará ao fim da estrada, se você souber o que fazer com ele(s)
(Pablo Emílio) de Mattos
Permitido publicar qualquer texto desse site em mídia impressa ou online, desde que seja citado a fonte e o autor.
Viva a literatura na internet.
Posted by Pablo Emílio | Posted in Conto | Posted on 10-07-2008
Respostas sem perguntas e perguntas com as respostas que ninguém deseja ouvir. Tudo isso junto ao enorme vão de sentir-se deslocado e cinza. Todas as ambições e pretensões de quem um dia sempre quis o melhor, se transformando em folha seca. Todas as belas palavras de Camões e Vinicius virando calço para uma vida que já não escreve uma história de verdade. Basta uma frase, uma indicação ou uma resposta que tudo vira profundo, o peito bate mais forte na ânsia por sangue, a dor se move como as nuvens que repentinamente trazem o frio ou revelam o calor do sol. As mãos trêmulas descrevem o nervosismo ao balançar o copo de café frio, mas pouco importa. As sensações mais comuns estão nulas. A luz falha, os olhos, que já parecem sem controle, fecham lentamente enquanto o corpo que cai, só tem uma turva visão e, em frações de segundos, tudo está preto. Acorda-se 10 minutos ou meia hora depois, com a sensação de que passou apenas um segundo de dor e olhos fechados, mas nesse cair vai muito mais do que qualquer escuridão, vai todo um passado, toda uma história que se construiu sem amarras de vitória e com isso, qualquer peito que possa bater mais forte, não passará de um coração com sede de sangue, desejo e concretização.
(Pablo Emílio) de Mattos
Permitido publicar qualquer texto desse site em mídia impressa ou online, desde que seja citado a fonte e o autor.
Viva a literatura na internet.